A outra fotografia

artigo                                                                                                                          

“Na sociedade de hyper consumação que vivemos hoje, o vernacular constitue o que Michel Foucault definiu como uma heterotopia, um espaço outro, mas por comparação à utopia, perfeitamente concreta. O vernacular é então ao mesmo tempo utilitária, domestica e heterotopica.”
Clément Chéroux[1]

                                                                                                                                              

A fotografia vernacular, depois de alguns anos, começa a ser integrada ao estudo e à historia da fotografia.

Exposições, livros, artigos e seminários foram produzidos nos últimos anos e que sob diferentes maneiras de abordar o tema revelam toda a riqueza e complexidade dessa nova área de estudo que apenas começa a ser escrutinado.

Artistas d’avant-gardedos anos vinte[2] e os conceitualistas[3] dos anos setenta já haviam feito uso da iconografia vernacular para reativa-la e produzir novas interpretações. Essa reapropriação de imagens continua nos nossos dias e é uma das correntes mais inventivas e contundentes da arte contemporânea[4]. Outros artistas se não utilizam diretamente essas imagens como parte de sua obra, se servem delas como referencia, é o caso especialmente do artista alemão Richiter.

Esse interesse me levou a desenvolver uma coleção de fotografia vernacular que vai do fim do século XIX aos anos oitenta do século XX. Esse material cobre praticamente todo o desenvolvimento técnico e de utilização que passou a fotografia no ultimo século. Assim fazem parte dessa coleção, atualmente composta de aproximadamente dois mil itens,  todos os tipos de técnicas e suporte: as primeiras placas de vidro tanto negativo quanto positivo, os esteriotipos, cartas de visita. Ela engloba igualmente todos os tipos de prática: fotografias de estúdio, familiar, utilitária. Cobre igualmente um amplo espectro de gêneros: paisagem, retrato, registro de cerimonias sociais prosaicas. Estou convencido, como sinala C. Chéroux que Pelo seu caractere abundante e prosaico, a fotografia vernacular ocupa, dentro do regime de imagens, uma posição de alteridade: ela é a outra da arte.

anônimo, coleçãoEder Ribeiro

anônimo, coleçãoEder Ribeiro

 

 

 

[1] Céroux, Clement,  Vernacularaires, essais d’histoire de la photographie, Le Point du Jour, 2013.Minha traduçao.

[2] Uso de fotomontagem pelo grupo Dadaista, por exemplo.

[3] Artistas como John Baldessari,

[4] Céroux, Clement,  ibid.

Eder RibeiroComment